quinta-feira, 30 de julho de 2015

Entrevista com seu João “Putaria” Ribeiro


O texto a seguir é uma produção coletiva de estudantes de 12 a 14 anos do Centro Integrado Florestan Fernandes e é dos resultados de uma oficina de comunicação realizada hoje.





 
As turmas do 6º e 7º anos do Centro Integrado Florestan Fernandes realizou hoje uma entrevista com uma das pessoas mais idosas do Assentamento Terra Vista com o objetivo de conhecer a sua trajetória de vivência aqui.

Ele mencionou na entrevista que tem 95 anos de idade e que nasceu em Jequié, na Bahia. Ele vive com a esposa, Dona Rosália e tem 7 filhos. Ele gosta de escutar música boa e é flamenguista.



Ele gosta de morar aqui por causa do rio que divide o assentamento e também porque aqui ele tem a roça dele e a casa onde ele mora há 22 anos.

Para nós estudantes foi muito bom ir conversar com ele porque a gente soube coisas sobre o Seu João que não sabia antes, mesmo já conhecendo ele. Também foi legal porque ele ficou muito alegre com a visita.

Sabe por que ele é chamado de João “Putaria”? É porque quando ele era jovem, e depois de idoso também, ele falava e fala muita besteira! Seu João é resenhista...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

TEIA marca presença na etapa de Itabuna do Fórum Social da UFSB


Durante os dias 24 e 25 de Julho foi realizada a etapa regional do Fórum Social da Universidade Federal do Sul da Bahia – UFSB, no bairro de São Caetano, Itabuna. O evento reuniu docentes, pesquisadores, servidores, estudantes da UFSB e diversos segmentos da sociedade civil. A TEIA de AGROECOLOGIA dos POVOS esteve presente, junto com Pataxó Hã hã hãe, Tupinambá de Olivença, quilombolas, comunidades de terreiro e assentados de reforma agrária.


Grupos culturais como o grupo Bicho Caçador e Volta da Jiboia fizeram a abertura do Fórum Social. Para Naomar Almeida, reitor pro tempore da UFSB, o objetivo do fórum foi promover um espaço de diálogo e escuta dos diferentes setores da sociedade. Para nós da TEIA, o momento foi importante pois estivemos juntos mais uma vez somando forças para lutar por uma educação de qualidade no território.
 
Kaique, da aldeia Caramuru Catarina-Paraguaçu, falou da importância de vir para o Fórum pois pode perceber como a cultura do quilombo têm traços parecidos com sua cultura, “outros lugares também têm cultura, que não é só na aldeia.” O jovem indígena Pataxó Hã hã hãe, afirmou também que em eventos como esse é importante fazer amizade e “ter convivência com as pessoas de outros lugares.”
 
Após a abertura foi explicado sobre o Conselho Estratégico Social da UFSB - uma instância de participação social, por onde as demandas da sociedade podem ultrapassar os muros da Universidade, direcionando suas ações para o desenvolvimento regional. Atualmente, os prefeitos das três cidades onde a UFSB atua têm cadeiras permanentes, bem como a CEPLAC, doadora de um terreno para construção do campus.

  

No período da tarde, cada segmento social se reuniu para dialogar sobre suas demandas. A ideia era escutar as especificidades de cada setor, escolher prioridades de ações e eleger as/os delegadas/os responsáveis por defender as propostas na etapa final, à ser realizada entre 16 e 19 de Setembro, em Porto Seguro. A TEIA esteve presente para apresentar seu projeto de desenvolvimento sócio econômico agroecológico e solidário aos diversos segmentos ali reunidos, à saber: Movimentos Sociais do Campo, Educação Básica, Ensino Superior e Pesquisa, Juventude, Comunidades Afro-brasileiras, Povos Indígenas dentre outros.



A UFSB tem o proposito de ser uma universidade onde 80% dos estudantes serão da região Sul da Bahia. Para realizar este meta, a UFSB esta desenvolvendo a estrategia de implantação de Colégios Universitários (CUNI) em parceria com a Secretaria Estadual da Educação (SEC-Ba) nos municípios com mais de 20 mil habitantes. Já foram implantados 5 CUNIs e o planejamento é implantar mais 28 nos próximos 5 anos.
 

Visando dar seguimento a este processo de expansão, foi realizado no turno da noite uma audiência pública para escutar a sociedade presente sobre os locais de implantação dos CUNIs. Durante este espaço, a TEIA apresentou a necessidade da universidade priorizar as populações das aldeias, dos quilombos e das comunidades rurais na implantação dos próximos colégios universitários. Tendo em vista a conjuntura de amplo fechamento das Escolas no campo, a recusa em priorizar tais populações em suas ações poderá dificultar a chegada dos CUNIs no território.

Durante todo o dia alguns produtos do Assentamento Terra Vista estiverem à venda para todos que participavam do Fórum. Dentre os produtos o chocolate agroecologico do assentamento foi o mais procurado por quem estava de passagem pelo local.



***
  
O segundo dia começou com um painel temático “Desenvolvimento regional e sustentabilidade: águas, Mata Atlântica e empreendedorismo de impacto”, onde Joelson Ferreira apresentou a proposta de desenvolvimento sócio econômico da Teia, que resgata a força do cultivo do cacau cabruca como forma de preservação ambiental de outras especies. Essas especies estão cada vez mais ameaçadas, devido ao desmatamento causado pela pecuária intensiva, “se não fizermos nada o pé do boi pode acabar com toda a riqueza dessa região e causar até uma grande seca aqui no Sul da Bahia”. Ele convocou a todos os presentes para se juntarem numa perspectiva de cuidado da natureza, dos rios, das matas, das florestas e das sementes, que envolve a recuperação de 200 mil ha de Cacau Cabruca e reflorestamento de 200 mil ha através de SAFs.


Ainda durante o painel foi apresentada a proposta da realização de obras de infraestrutura, que apresentam-se como prerrogativa de aumentar o desenvolvimento da região, dentre elas estava o Porto Sul, que servirá de porta de saída para a exportação do minério de ferro das minas no município de Caetité, Bahia. Essa proposta veio vestida de solução para outros problemas como de saúde, educação e violência que os municípios como Itabuna, Ilhéus e Teixeira de Freitas estão enfrentando.

Para a Teia, esses projetos em nada contribuem para a sustentabilidade no território, visto que causam impacto ao meio ambiente promovendo grande desmatamento, precárização do trabalho, além de expulsar as comunidades que tradicionalmente ocupam os locais onde os mega projetos pretendem se instalar.
Quando foram abertas as falas para intervenções, Adalto Tupinambá - morador da aldeia Água Vermelha em Itaju do Colônia, lembrou a todas/os presentes que esta política de exploração do territórios não tem nada de novo. Desde 1833, já havia sido regulamentado que as comunidades que ocupam estes territórios deveriam ser removidas integralmente ou parcialmente. 

Egnaldo França, agente de sáude e membro do Movimento Negro de Itabuna, alertou que “É muito fácil e bonito falar da necessidade de discutir os problemas de saúde e violência em Itabuna por quem está no ar condicionado. É preciso estar lá no dia a dia na periferia para entender quem realmente é vítima. Muitas dessas pessoas são meus parentes, vizinhos e amigos de infância. Quando uma pessoa pega leishmaniose é por que seu pai e seu avô foram vítima de emboscadas, caxixes, exploração e outras formas de opressão que expulsaram-na da terra, tendo como destino as periferias, sem saneamento básico e sem acesso as políticas sócias.”


O Eng.º Agrônomo, Drº Manoel Donato de Almeida ressaltou a necessidade de reconstrução da cultura do cacau em outras bases. “Já fomos um dos maiores produtores de cacau do mundo, mas tudo isso em troca do desmatamento, do assassinato dos povos tradicionais, da devastação da matas ciliares. Temos que dar um grande grito de basta! Repensar em tudo isso e começar de novo, com outras ideias.”

Para Camila, do assentamento Terra Vista, foi importante terem sido apresentadas essas propostas durante o Fórum Social pois, “assim, os inimigos do povos deixam claro qual o projeto deles e nós deixamos claro qual a nossa - nos unir para nos defender e enfrentá-los.”

Daniela Galdino, profª da UNEB e poeta, enriqueceu a discussão ao declamar o poema “Morte do Leiteiro” de Carlos Drummond de Andrade. A partir do poema é possíve estabelecer relação com a criminalização dos movimentos socias, principais atores na transformação da sociedade.

Há pouco leite no país,é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.

Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.

Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro.
morador na Rua Namur,
empregado no entreposto
Com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.

E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro…
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,

cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este entrou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei, 

é tarde para saber.


Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.

Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada. 
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue… não sei
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.




Ao final do Fórum Joelson Ferreira, alertou que as expectativas com a chegada da UFSB são muitas, mas seu papel de transformar a realidade no território deve ser disputado nas diversas instância da instituição, no Conselho, nas pesquisas e nos próximos Colégios Universitários. Concluiu relembrando sobre a necessidade de ocupar o latifúndio da educação superior. “Estamos educando os nossos filhos e nossos parentes para não aceitar mais ser escravo ou ter um salário de miséria. Aos antigos latifundiários avisamos: seus dias de perversão estão chegando ao fim. Estamos unidos, quilombolas, indígenas, assentados, acampados e o povo nas favelas e periferias, e vamos nos preparar para a guerra de defesa da Mata Atlântica e da natureza."

Diga ao povo que avance...
Avançaremos!

domingo, 19 de julho de 2015

I Conferência Nacional de Politicas Indigenista- Etapa local Pataxó Hã hã hãe



Entre os dias 17 e 19 de julho cerca de 80 lideranças indígenas do povo Pataxó Hã hã hãe reunidos no Assentamento Terra Vista, em Arataca-BA, com o apoio de colaboradores de diversas instituições e movimentos sociais do sul da Bahia, discutiram seus principais problemas e apontam propostas e soluções. 


A Conferência foi aberta sob a coordenação de Luiz Titiá e teve participação de Joelson Fereira, coordenador do Assentamento Terra Vista, Tiago de Paula representante regional da FUNAI, além de representantes da CPT, CIMI, Teia Agroecológica, Sesai entre outros.

Dentre os problemas que as populações indigenas enfrentam destacam-se as políticas públicas específicas direcionadas às comunidades, assim como, o desafio da recuperação ambiental do seu território, em especial, a parte retomada nas lutas de 2012, cuja vitória foi consolidada juridicamente com o julgamento definitivo da nulidade dos títulos de propriedade concedidos pelo governo do estado aos fazendeiros sobre o território indígena situada entre os municípios de Pau Brasil, Camacan e Itaju do Colônia-BA.
O desmatamento das nascentes e margens dos córregos e rios pela pecuária durante a ocupação ilegal dos fazendeiros causou a escassez de água no território indígena, fazendo com que a recuperação dessas áreas se imponha como um objetivo estratégico para alcançar a segurança hídrica e alimentar desses povos.
Outro desafio importante é a  preservação e recuperação da cultura indígena, ameaçada pela influência da mídia sobre a juventude dentro das aldeias. Nesse campo, as religiões que não respeitam a cultura indígena formam outro desafio a ser enfrentado. 


Na Conferência os Pataxós Hãhãhãe recordaram ainda sobre sua cultura pré-colonial, suas relações, cantos, fala etc. Sobre isso o professor Edson Kaiapó observou “O Brasil foi construído sobre o cemitério e com sangue indígena e negro”. 
 
Outro tema refletido foi a condição das mulheres indígenas, onde houve uma roda de diálogos para compreensão das demandas atuais e ficou encaminhado um encontro das mulheres indígenas à ser realizado em Itaju do Colonia, onde as mulheres da Teia dos Povos também estavam convidadas. Além disto foram escolhidas as representações para a conferência regional. 

O momento do encerramento foi com a formação de um grande círculo simbolizando a união entre indígenas, negros, agricultores familiares e ainda representações institucionais, juntos fizemos um ritual em homenagem à vida através das sementes.

Texto: Fábio Titiá, Aniele Silveira e Joaci Cunha (CEAS) 











Diga ao povo que avance...
AVANÇAREMOS!!!

domingo, 12 de julho de 2015

Resumo do I Seminário da Rede de Sementes da Teia dos Povos


Na busca pela segurança e soberania alimentar de nossos povos tradicionais, nos voltamos ao início: as sementes. Mais que a gênese das nossas práticas agrícolas, partimos pelo resgate dos conhecimentos ancestrais que asseguraram e asseguram a permanência e resistência de nossos irmãos Indígenas, Quilombolas e Camponeses em seus territórios, para reger nossas 'novas' práticas técnicas e culturais afim de promover as mudanças necessárias para garantir a perpetuação e fortalecimento da existência dos povos tradicionais no atual sistema instaurado em nossa sociedade.

É “tempo de buscar paciência e sabedoria”, portanto, começaremos por juntar os grãos e as milhares de histórias, lutas, experiências, vivências e conhecimentos de tantos povos, que cada semente carrega. Talvez seja essa, não apenas a base, mas, um dos objetivos principais da Rede; compreender o valor contido nas sementes. A construção da rede de sementes da Teia dos Povos é concretizar espaço uníssono para guardamos com segurança os grãos e saberes coletados em cada canto de nossos territórios, de nosso país, de nossa grande pátria e ao redor do mundo. Pois, vivemos a degradação da biodiversidade das sementes, simultânea à apoderação das mesmas por grandes empresas que vêm impondo sua hegemonia atendendo apenas aos seus interesses capitalistas.

Foi frisado o papel da juventude na luta em defesa, e em prol de suas raízes. A grande dificuldade deixou de ser o acesso ao conhecimento, o acesso aos meios de comunicação, mas, sim a falta de interesse pelas causas e tradições de nossos povos. A internet, e suas milhares de ramificações e modos de acesso, é uma grande ferramenta que principalmente a juventude precisa se empoderar e assumir controle sobre quais informações lhes são úteis, quais culturas lhes são agregadoras e quais degradam seu povo e suas lutas, ao invés da simples reprodução e aderência a tradições alheias à nossa realidade, que são impostas pelo/para o convívio social.
Precisamos que nossos jovens saibam as histórias de nossos povos e que também saibam e desenvolvam tecnologias que promovam avanços para nossos povos. Para isso, é (re)lembrado o convite desafiador de sairmos da zona de conforto e praticarmos as teorias debatidas e materializarmos os debates filosóficos, unindo assim o saberes acadêmicos e tradicionais em prol dos Indígenas, Quilombolas e Camponeses.

"Nossa tarefa é um grão de semente para fazer a revolução brasileira!".












DIGA AO POVO QUE AVANCE...
E AVANÇAREMOS!!!


Teia dos Povos da Cabruca e Mata Atlântica

sábado, 11 de julho de 2015

Nossa tarefa é um grão de semente para fazer a revolução brasileira!


Com essa tarefa, hoje, 11 de julho de 2015 aconteceu no Assentamento Terra Vista o I seminário Banco de Sementes para tratar da questão e importância das sementes Crioulas como patrimônio da Humanidade e dos povos e apresentando o início de uma nova etapa para a Teia dos Povos com o projeto Banco de Sementes. Com essa proposta seguimos avante como Teia dos povos em Luta e em posse daquilo que nos pertence, o poder à semente sobre e na terra para a produção e garantia do alimento saudável e da soberania alimentar.
Crianças, mulheres e homens cantaram, celebraram e partilharam suas sementes.
Nossa companheira Mayá, ou seja, Maria Muniz, Nailton e Joelson, representando todos os mestres e elos da Teia dos Povos, participam da mística do fogo, que simbolicamente é destinado para cozinhar os alimentos para todos integrantes e a construção do plantio e da formação do banco de sementes do elos da Teia.
Relembramos que na luta pela soberania alimentar precisamos de três coisas: Terra, sementes e homens e mulheres com disposição de cuidar da terra, das sementes e fazer a luta. O início da arrecadação de sementes, que começou com trocas entre companheir@s com plantações e colheitas em vários lugares podemos projetar o futuro das nossas sementes, dos guardiãos e guardiãs da nossa história e das sementes. Como as sementes foram juntadas de várias partes do território, do país, de experiências de outros países, também somamos companheiros de várias origens étnicas, cidades, estados e nacionalidades em uma mesma família.
O tempo é de buscar com a paciência e a sabedoria para conquistarmos e consolidar os nossos territórios, construir a Teia dos Povos, e junt@s podemos conquistar outras dimensões. Começaremos pelas sementes, entregando o cuidado das mesmas às mulheres e homens de boa vontade, e convocando as universidades e institutos parceiros para que a produção do conhecimento volte para os saberes ancestrais e o cuidado com as sementes Crioulas como elemento em construção da Humanidade, ou seja, Sementes são patrimônio da Humanidade.
Como diz Che: “ O ser humano deixa de ser escravo quando vira arquiteto de seu próprio destino”, assim, convidamos à academia, os graduandos com coragem de deixar a academia para beber na fonte dos indígenas, quilombolas, pequenos produtores e sem terra, para que se unam à luta e aos companheir@s que já estão unidos, para que comecemos a pensar num plano de mudança para a nação. Iniciemos, portanto, a levar sementes em todos os lugares onde fomos e ir até onde existam companheiros que também trocam com todos que também tiverem sementes, pois, este é o nosso ato revolucionário necessário agora!
Lembramos também da importância da união e irmandade para que todos alcancemos juntos melhores momentos para todos e também tenhamos consciência e que sejamos profissionais que saibamos o valor das sementes Crioulas, pois, as sementes transgênicas não satisfazem nossas necessidades. Verdade, sinceridade e união são as palavras que precisamos colocar em prática.
Precisamos plantar Soberania, logo, o projeto prevê 10 hectares de banco de sementes, mas podemos fazer 20, podemos 30 hectares se quisermos, precisamos plantar e comunicar e fazer contabilidade e fazer articulações...Todas as tarefas precisam ser feitas, mas nem todos precisam fazer apenas uma tarefa, e sim sair do discurso, deixar os hábitos acadêmicos de apenas pensar, de filosofar, de levantar teses e não agir, pois, precisamos plantar e atuar praticamente para fazer a mudança. Precisamos definir nosso papel e assumir nossas tarefas.
Nós vamos plantar esperança, nós vamos plantar soberania. Porque a Teia é de esquerda, nós temos lado! Plantar essa semente é garantir nossa segurança alimentar!
Os produtores detém suas sementes Crioulas, produzidas pelos povos. O papel agora é entender sobre a semente, sobre a importância da agricultura, e resgatar que ser agricultor/a e permanecer em nosso território é fundamental.
“Vamos lutar, vamos construir todo mundo no mesmo passo!”

DIGA AO POVO QUE AVANCE...

E AVANÇAREMOS! 






 Teia de Agroecologia dos Povos

terça-feira, 7 de julho de 2015

É tempo de plantar e é tempo de sonhar

A teia de agroecologia dos povos convoca todos os elos e todos os participantes da teia para imergirem na construção, na consolidação e na apropriação dos conhecimentos ancestrais para preservação das Sementes Crioulas.

Nesse sentido toda militância da teia a partir de 11 e 12 de julho de 2015 a juntar todos os esforços na construção, concretização e formação dos bancos de sementes.

E, na busca de todo conhecimento, na perspectiva de preservar, de cuidar das sementes ancestrais, isso significa buscar e socializar todo conhecimento empírico a respeito da semente, os conhecimentos científicos e toda tecnologia capaz de consolidar os bancos de semente e difundir as tecnologias já acumuladas tanto de conservação e implementação desta política para construir a soberania alimentar e difundir em todas as comunidades indígenas, quilombolas, pequenos produtores, assentamentos de reforma agrária, comunidades ribeirinhas e em todos os lugares de atuação da Teia.

Com essa prática no prazo de 2 anos celebraremos em uma grande festa de consolidação em defesa das Sementes, patrimônio da Humanidade.

Assim, dias 11 e 12 estaremos reunidos para realizar o planejamento do banco de sementes de 10ha na aldeia Catarina Paraguaçu em Pau Brasil nos Pataxó Hã hã hãe, na aldeia Tupinambá em Serra do Padeiro e no assentamento Terra Vista em Arataca.









Diga ao povo que avance, e AVANÇAREMOS!


Assentamento Terra Vista
Arataca-BA


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Viva às conferências estaduais e nacionais dos povos Indígenas do Brasil

   
A IV jornada de agroecologia que será realizada no Terra Vista definiu como tema Terra, Território e Poder. Nessa grande jornada vamos dialogar e definir o que significa território para os indígenas, o que significa Terra para os Sem Terra, Território para as comunidades Quilombolas e o que significa Terra e Território para as comunidades urbanas.
A partir desses conceitos e desses conhecimentos teremos o dever de resgatar a luta de Ganga Zumba, Dandara e Zumbi dos Palmares pela grande conquista da república Palmarina. O significado da luta Conselheirista, ou seja, o significado da luta de Conselheiro no sertão da Bahia, a luta pela terra em Contestado em Santa Catarina e à guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul e nesse momento oportuno faz-se resgatar duas grandes guerras e a força da aliança.
A Guerra de 2 de Julho da Independência da Bahia, onde unificou indígena, quilombola, vaqueiro, a comunidade urbana e todos àqueles que anseiam pela luta por liberdade. Essa aliança se concretizou numa grande vitória contra os opressores e toda elite que dominava a Bahia, esta aliança vitoriosa que se consagrou na Bahia só teve um pecado; não teve a dimensão do território brasileiro e que ali era a oportunidade de fazer a Primeira Revolução Brasileira e mais ainda uma Revolução de Classe, de unidade de todas as classes. Mais vitoriosa em sentido da defesa do território baiano, só faltou a libertação de todo Brasil.
Outra luta importante que não estou interessado em colocar na ordem temporal e cronológica, já que não cabe explicação por não ser um trabalho acadêmico, mas tenho que relatar uma importante aliança para derrota do inimigo, a Grande Aliança dos Tamoio no Rio de Janeiro que derrotou todos os inimigos invasores daquele nosso tempo. Explicando isso quero dizer hoje que está na ordem do dia a luta de Ganga Zumba a Zumbi para construção da República Socialista Brasileira e da desejada democratização da terra como desejava o povo de Consellheiro. Lembrando todas as guerras vitoriosas e derrotadas queremos dizer que nesse momento de incerteza, de ódio, de fascismo, de golpismo se faz necessário os homens e mulheres da guerra construir um novo pacto para a guerra de defesa não só dos últimos patrimônios não espoliados pela elite dominante que há 515 anos vêm fazendo guerra de destruição de qualquer perspectiva dos indígenas, do povo negro, e da classe trabalhadora de Terra, Terrritório e Liberdade.