quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

I Jornada de Agroecologia da Bahia discute perspectivas para a educação contextualizada no campo

A cabeça pensa onde os pés pisam, o adágio popular resgatado pelo educador pernambucano Paulo Freire, foi lembrado por Diego Silva do NEPPA-, para dar início a mesa Educação no Contexto da Agroecologia na Bahia e no Brasil, além de Diego, estavam presentes Ilza Pataxó, Joelson Ferreira-MST, Jorge Rasta- Casa do Boneco e Raimundo Bomfim, pró-reitor de extensão da UESC.

Diego Silva atentou para o elevado número de fechamento de escolas no campo na última década, foram trinta e sete mil escolas desde 2002, segundo Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC). Para Diego, este dado se deve ao fato do esvaziamento do campo por conta da migração forçada. Cada vez mais as verbas públicas são investidas em infraestrutura para o agronegócio e são pouquíssimas as políticas estruturantes que garantam de fato a permanência do agricultor familiar em sua terra. Diego Silva atenta para a necessidade de iniciativa de desenvolvimento da educação formal e não formal de forma autônoma, e concluiu sua fala afirmando que a educação deve ser instrumento de multiplicação da luta.
 

Pensar uma educação diferenciada significa pensar também em todo o contexto étnico que envolve o universo rural brasileiro, já que os camponeses são principalmente afrodescendentes e indígenas, porém para Jorge Rasta, a escola tradicional não fala a língua do homem e da mulher do campo e o modelo educacional vigente não consegue construir diálogos com práticas agroecológicas ou até mesmo com a construção de uma mentalidade não racista e não sexista.


Segundo Ilza Pataxó, o processo educativo deve envolver todos os segmentos da comunidade, as crianças devem ter acesso a todo aparato de educacional contemporâneo, porém devem permanentemente estar em contato com informações acerca da cultura e das tradições, pois é o autoconhecimento, a identidade que vai definir o conceito de agroecologia que melhor se aplica aos povos indígenas, quilombolas, assentados e agricultores tradicionais.


Joelson Ferreira fez o encerramento da mesa salientando rompemos a cerca, quebramos a cerca, agora temos que ir além da cerca. E concluiu uma nova perspectiva de humanidade não cabe no capitalismo. A barbárie já está aí, a miséria está tomando conta até dos lugares mais ricos do mundo.


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